Noite esfumaçada num bar.
- Professor, o que um cara bacana faz neste lixo, aqui?
- Estudo a espécie humana, querida. Sou um estudioso, um cientista,
se me permite a expressão.
Eu sou mais ou menos inteligente e não discuto coisas que não
entendo. E aquela era uma delas. Tudo bem, não preciso ser um
gênio pra saber que o cara não estava interessado no que
eu tinha pra falar.
- Venha, professor...
- Doutor, querida, doutor... Embora eu seja um péssimo praticante
da ciência da Psychologia... um termo inventado no século
XVI. Era usado, a princípio, com o significado de "ciência
da aparição dos espíritos". Nada científico,
como vê...
Bah, não entendi nada. Não importava, eu gostava dele.
A gente encontra cada cafajeste querendo fazer porcarias com a gente...
Mas ele não, era gente fina. Levei-o até o quartinho sujo
no beco e comecei acariciando-lhe as partes íntimas. Fui mordendo
de mansinho os ombros, o peito, os mamilos... Cheguei, então,
ao pescoço. Os meus caninos estavam uivando, loucos pelo sangue
fresco.
- Sua vampira sem-vergonha! - Ele gritou.
Antes que eu pudesse reagir, ele agarrou o meu pescoço e o torceu.
Ouvi um estalo. Porra, doeu! Guinchei, furiosa, e saltei para o lado.
- Seu desgraçado fingido!
- Qual é, boneca, você quer me jantar e acha que vou ficar
aqui quietinho, esperando o golpe como um peru de Natal? Ah, faça-me
um favor, baby, tenha um pouco de respeito pelos meus títulos!
- Huuum... você vai dar trabalho... - Eu disse, colocando no lugar
a minha cabeça, que pendia para os lados, sem sustentação.
Ele estendeu as mãos grandes e ossudas para mim, os olhos brilhando,
perversos.
- Então venha, meu bem, vamos ver quem janta quem!
Saltei e ele me atirou sobre a cama, fazendo a madeira podre partir
em pedacinhos e nos afundar até o chão. Ele ria. Não
tinha medo, só ria, mostrando seus próprios caninos afiados.
- Boneca, você é uma coisinha danada de ruim. Uma chave
de cadeia, traiçoeira e má...
Eu ri. Chave de cadeia? Gargalhei. Chave de cadeia! Passei a mão
sobre os meus lábios, onde escorria um fiozinho de sangue. Levei
o dedo molhado à sua boca e ele lambeu, gostoso. Era agora. Avancei
sobre o seu pescoço e rasguei a carne macia e gelada. Suguei
lentamente o seu sangue de vampiro enquanto ele mordia o meu seio. O
néctar rubro jorrou de ambos os corpos.
- Você não presta, boneca. - Ele suspirava, em êxtase.
- Eu sei... Nem você.
Nossas gargalhadas ecoaram pela noite, espantando as ratazanas e as
baratas. Eu e ele, a mesma risada, o mesmo prazer. Duas almas igualmente
sujas e malditas. Poderia haver coisa melhor?
Fim