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Prefácio |
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R.
F. Lucchetti Há
exatamente cinqüenta e sete anos, a Policial em Revista, tradicional
revista pulp criada por Adolfo Aizen, em seu número 187 (datado de
dezembro de 1949) publicava meu artigo "O Gênero Fantástico no
Brasil". Nele, eu enfatizava a falta de interesse de nossos homens de
letras por um gênero que em outras terras servira de tema para inúmeros
autores de talento (Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft, Bram Stoker, Henry
James, Mary W. Shelley, E. T. A. Hoffmann, Ambrose Bierce, Gaston Leroux,
Guy de Maupassant, Robert Louis Stevenson, Sheridan Le Fanu, M. R. James,
W. W. Jacobs, Arthur Conan Doyle, para citar apenas alguns). A fim de
comprovar o que eu falava, basta lembrar que, até aquela época, apenas
dois autores brasileiros se dedicavam ao gênero tendo alcançado certa
notoriedade: Jeronymo Monteiro e Hélio do Solveral. Assim
permaneci ignorando se o gênero havia ou não formado seguidores entre nós.
Tinha apenas conhecimento de que, desde os anos sessenta, por incentivo do
editor Gumercindo Rocha Dória, o G. R. D., criara-se uma plêiade de
autores de ficção científica. O Gumercindo é sem dúvida um dos mais
abnegados editores que eu conheço. Ele é editor por vocação, não se
importando se o novel autor iria corresponder ou não ao seu investimento,
geralmente não. O que lhe importava mesmo era seu talento. Mas
voltando para agora, tudo aconteceu quando um editor pediu-me para
organizar uma antologia de histórias de vampiros, coincidentemente com o
recebimento de um exemplar do FicZine, remetido pelo meu amigo Emir
Ribeiro. Essa simpática publicação abriu-me as portas para uma
realidade que eu desconhecia, a de que havia duas autoras brasileiras que
escreviam histórias de vampiros: Giulia Moon e Martha Argel, editoras da
revista. E
foi por intermédio da troca de correspondência e conversas telefônicas
com Giulia Moon que tomei conhecimento de um sem-número de autores do gênero
fantástico que, pela dificuldade de editar, têm veiculado seus textos na
Internet. Desde a mais tenra idade fui um rato de biblioteca, tenho no
livro o meu principal alimento e não aderi à Internet; por isso,
desconhecia essa realidade de nossas letras contemporâneas. Fiquei
encantado com essa jovem "criatura das trevas". Descobri em
Giulia Moon uma companheira de viagens por esse mundo fantástico e
maravilhoso, onde chega a mente do homem, mas jamais seus passos.
Espantei-me ainda mais com minha ignorância, ao constatar que Giulia Moon
já possuía dois livros de contos: Luar de Vampiros e Vampiros
no Espelho & Outros Seres Obscuros. A
surpresa maior estava ainda por acontecer. Foi quando recebi os originais
do seu novo livro A Dama-Morcega, ao qual, com certa timidez,
pedira-me se eu o prefaciaria. Sem dúvida que sim. Embora desconhecendo
seu conteúdo, sabia que estaria diante de uma obra à altura de seu
talento, demonstrado nos seus textos anteriores. Mas confesso que tive uma
agradável surpresa ao folhear as quase cem laudas de seu original e ver
que estava diante de uma coleção de histórias das mais variadas nuances
que o gênero oferece: desde o terror explícito à fantasia e ao
humor-negro. Tornar-se-iam
sem fundamento estas minhas considerações sem mencionar que a fantasia e
a realidade se confundem na literatura fantástica e entre seus ícones
está o vampiro, que de tempos em tempos tem sido trazido para o nosso
mundo sem graça. Esta é a reflexão que nos vem à mente, ao ler a
novela que dá o título ao livro e que, segundo as palavras da própria
autora: "tem a ver com O Médico e o Monstro, Frankenstein e todas as
histórias em que o homem se defronta com criaturas que não se encaixam
na nossa idéia de realidade." Essa declaração tem muito a ver com
o filme Monstros (Freaks) de Tod Browning. Giulia
Moon insere A Dama-Morcega na mitologia do fantástico maravilhoso. R.
F. Lucchetti Rubens
Francisco Lucchetti, escritor e roteirista de cinema e quadrinhos, é
autor de mais de 1400 livros e introduziu o terror no Brasil. Foi
roteirista de José Mojica Marins, o Zé do Caixão, e do diretor Ivan
Cardoso. Tem em seu currículo vários clássicos do cinema como As
Sete Vampiras, A Maldição da Múmia e O Estranho Mundo do
Zé do Caixão, entre outros.
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