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A Dama-Morcega, |
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O conto A Dama-Morcega, que empresta o nome ao livro, conta a história de uma mulher estranha e assustadora exibida como atração num circo de horrores em São Paulo, no início do século XX. Pensei
sobre esse tema pela primeira vez ao ler sobre o caso verídico de Julia
Pastrana, uma mulher que foi explorada como uma monstruosidade circense no
século XIX por ter o rosto simiesco e o corpo coberto de pêlos. Fiquei
fascinada por esse confronto, antigo como o mundo, entre uma criatura física
e psicologicamente diferente da maioria dos seres humanos e os conceitos
tradicionais de beleza e normalidade. Esse mote inspirou a história de
Agnes, a minha Dama-Morcega, e o seu relacionamento com Olavo Alencar, um
médico que tenta decifrá-la. Os
demais contos do A Dama-Morcega trazem mais seres obscuros como demônios,
lobisomens, fantasmas e sacis, monstros com os quais tenho convivido de
forma amigável desde que comecei a escrever terror fantástico há cerca
de cinco anos. Cada uma dessas criaturas tem muito de humano nas suas ações,
idéias e sentimentos. Elas amam, sofrem, riem e se divertem. Erram e se
arrependem. Às vezes são cruéis, às vezes engraçadas. E, dessa forma,
tornam-se um pouco mais reais. Acho que é isso, no fundo, o que espero das minhas criaturas. Que venham. Que se aproximem. Que tragam consigo a imagem, a voz, o cheiro e o tato de um mundo fantástico. Nós, amantes do terror, conhecemos muito bem esse desejo. É o apelo que vem da infância, dos contos de fadas, das aventuras no Sítio do Pica-Pau Amarelo, das histórias de assombrações contadas pela nossa avó. É assim que nós, amantes desse universo especial, nos divertimos. Se, depois de ler um dos meus contos, o leitor sentir uma leve sensação de desconforto ao retornar para o mundo real - que antes lhe parecia tão familiar - ficarei imensamente feliz. Terei
alcançado o meu objetivo. Giulia
Moon. |